Indicação de quadros da oposição para embaixadores: Inclusão ou estratégia para enfraquecer a oposição?

O Presidente da República, Filipe Nyusi, indicou, em menos de um ano, dois membros seniores de partidos políticos da oposição para ocuparem cargos diplomáticos. É um fenómeno sem paralelo na história da nossa jovem democracia.

Indicação de quadros da oposição para embaixadores: Inclusão ou estratégia para enfraquecer a oposição?

Primeiro foi Raúl Domingos, presidente  do partido Paz, Democracia e Desenvolvimento. Raul Domingos, um antigo secretário-geral da Renamo e negociador do Acordo Geral de Paz de Roma, assinado em 4 de Outubro 1992, foi indicado por Filipe Nyusi para o cargo de embaixador de Moçambique no Vaticano, Roma, na Itália. 

 

Na quarta-feira, 17 de Janeiro, portanto, cerca de seis meses depois, Nyusi nomeou Eduardo Namburete, deputado e membro sênior da Renamo, para o cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Moçambique junto da República da Argélia. 

 

No mesmo dia, Nyusi Fortunato Albrinho para o cargo de Alto Comissário da República de Moçambique junto da República do Gana e Alexandre Herculano Manjate, para o cargo de Alto Comissário da República de Moçambique junto da República do Malawi.

 

A nomeação de Eduardo Namburete, um quadro sênior da Renamo, envolvido no processo que culminou com a assinatura do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional de Maputo e no Desarmamento, Desmobilização e Reintegração dos homens armados da Renamo, está a ressuscitar o debate havido a quando da nomeação de Raúl Domingos, com dois grupos antagônicos. Há uma grupo que defende que ao decisão de Nyusi significa preocupação com a inclusão.

 

Outro grupo diz que ao nomear membros  da oposição para cargos de embaixadores, Nyusi  está a colocar em marcha uma estratégia visando enfraquecer a oposição.

 

Antes de deixarmos ficar a nossa opinião, importa esclarecer que quer Eduardo Namburete quer Raúl Domingoss, fazem parte dos melhores quadros que o país tem. Os dois merecem os cargos para os quais foram nomeados. 

 

Relativamente ao debate, concordamos com  daqueles que olham para as nomeações como inclusão, apesar de essa inclusão ser insignificante e a sua materialização ser apenas no campo diplomático. É assim que tinha que ser. Ser da oposição não devia ser impedimento para se ocupar cargos públicos. E ser da Frelimo não devia ser condição para se ocupar um cargo público.

 

Se for efectivamente inclusão, é preciso haver mais nomeações de pessoas  não só da oposição, mas também da sociedade civil que não sejam da Frelimo.

 

Entretanto, estamos tentados a subscrever a opinião de que estamos perante uma estratégia do regime do dia para enfraquecer a oposição. Porquê compramos essa opinião. Tem a ver com o período em que essas nomeações são feitas. Raúl Domingos foi nomeado embaixador numa altura de crise de liderança na oposição. 

 

Acabava de morrer o presidente do Movimento Democrático de Moçambique, Daviz Simango, quem se acreditava  que podia podia voltar à Renamo ou formar uma coligação com a Renamo para atacar as próximas eleições, porque Ossufo Momade não inspira confiança. 

 

Sem Daviz Simango, o único dirigente da oposição com capital político para desfiar a Frelimo era Raúl Domingos. E porque a Frelimo queria evitar esse risco, acomodou Raúl Domingos na Santa Sé, onde não terá tempo para cuidar da política.

 

Eduardo Namburete é dos mais brilhantes quadros que a Renamo tem. É uma ameaça para a Frelimo a curto, médio e longo prazo. Por exemplo, Namburete pode ser cabeça-de-lista da Renamo para as próximas eleições autárquicas.

 

Para a Frelimo é importante que a oposição tenha pessoas como Ossufo Momade. 

 

Porque não somos donos da verdade, acreditamos que o tempo cuidará de mostrar se estamos diante de uma inclusão ou Estratégia de coaptação de quadros para enfraquecer a oposição?