Número de pobres aumenta e desigualdades permanecem elevadas em Moçambique - diz Banco Mundial

O Banco Mundial revela que as desigualdades permanecem gritantes em Moçambique, com um rácio de “Gini” de 50,4%, que ilustra que a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos ainda é elevada, apesar de ter registado uma descida de 5,7%, saindo de 56,1 para 50,4% entre 2015 a 2020.

Número de pobres aumenta e desigualdades permanecem elevadas em Moçambique - diz Banco Mundial

Não obstante, o consumo médio diário por pessoa é de 50,8 meticais e o consumo médio mensal por família é de 11.900 meticais, respectivamente.

 

Os dados constam do relatório do Banco Mundial de 2023, que faz Avaliação da Pobreza em Moçambique, na qual revela que mais de cinco milhões de moçambicanos entraram para situação de pobreza durante o período em alusão. 

 

De acordo com o documento, também citado pelo Económico, entre os anos 2015 a 2020, o número de pobres em Moçambique aumentou de 13,1 para 18,9 milhões de moçambicanos, e a taxa de pobreza subiu de 48,4% para 62,8% em toda a população, mostrando retrocesso na redução da pobreza no país. 

 

A Avaliação da Pobreza 2023 fornece uma análise da pobreza e da equidade baseando-se principalmente em dados do Inquérito ao Orçamento Familiar de 2019/20 (IOF 2020), realizado durante a pandemia da COVID-19. 

 

“O período analisado neste relatório (2015 a 2020) foi caracterizado por uma elevada volatilidade económica, tanto a nível interno como global, o que explica a inversão significativa da redução da pobreza” lê-se no relatório. 

 

São igualmente apontados choques como a crise das dívidas ocultas e a consequente instabilidade macroeconómica levaram a um abrandamento significativo do crescimento do PIB. 

 

A fragilidade económica foi ainda agravada pelos efeitos de dois fortes ciclones (Kenneth e Idai) que atingiram o país em 2019. Entretanto, os dados tambem mostram que a deterioração das dimensões não monetárias do bem-estar das famílias começou antes da COVID-19, tendo a pandemia exacerbado esta tendência negativa. 

 

Globalmente, revela o relatório, a pobreza continua a concentrar-se de forma desproporcionada no Norte, tanto em termos absolutos como relativos, pois os conflitos e a fragilidade exacerbaram a incidência da pobreza nesta parte do país. 

 

Segundo o relatório, embora os choques sejam em grande parte responsáveis pelo retrocesso significativo na redução da pobreza, as questões estruturais continuam agravando a pobreza “A lenta transformação económica impede o crescimento e uma melhoria mais rápida das condições de vida”, realça.  

 

Em conclusão, o documento assumi que o crescimento e a redução da pobreza em Moçambique, ambos abrandaram na última década. 

 

“Embora Moçambique espera desfrutar de um boom de recursos naturais, que tem o potencial de impulsionar um forte crescimento económico e reduzir a pobreza, este resultado ainda não é garantido. Experiências de outros países mostram que os efeitos económicos globais dos booms de recursos naturais podem ser mistos. 

 

No entanto, se bem geridos, os efeitos naturais, a expansão dos recursos, têm o potencial de alimentar o rápido crescimento económico, o que pode ajudar a acelerar a redução da pobreza se o crescimento for partilhado por toda a distribuição de rendimentos”, argumenta o relatório.

 

TORRE