Objectivos de desenvolvimento sustentável da ONU longe de serem cumpridos

Em 2015, as Nações Unidas lançaram 17 objectivos do desenvolvimento sustentável até 2023, entre eles a erradicação da pobreza extrema, mas também a luta contra as alterações climáticas. Agora, com apenas sete anos até à data limite, estes objectivos mostra-se cada vez mais inatigíveis.

Objectivos de desenvolvimento sustentável da ONU longe de serem cumpridos

Esta semana começa em Nova Iorque a Assembleia-Geral das Nações Unidas, onde a agenda se vai virar não só para estes objetivos, mas sobretudo para as alterações climáticas e os fenómenos climáticos extremos que têm feito milhões de vítimas nos últimos anos.

 

Também a guerra na Ucrânia vai estar no centro dos atenções, com Volodymyr Zelenski a falar na terça-feira à Assembleia-Geral e na quarta-feira no Conselho de Seguança, onde a Rússia é membro permanente e onde estará sentado Sergey Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros.

 

Oito anos depois de as Nações Unidas terem lançado um apelo global para mudar o Mundo até 2030, os resultados são decepcionantes. Quem o diz é Amina Mohammed, vice-secretária geral da ONU, aos microfones da RFI referindo que destes objectivos, incluindo acabar com a fome, conservação do meio ambiente e menos disparidade entre países do Mundo, apenas 15% foram alcançados até agora. Uma situação que qualifica de decepcionante.

 

Segundo um relatório da UNICEF sobre o bem-estar das crianças no Mundo, 11 países que detêm 6% da população infantil mundial, cerca de 150 milhões de crianças, atingiram 50% dos objectivos destinados aos mais pequenos e a este ritmo, em 2030, apenas 60 países vão conseguir lá chegar, o que deixa de lado 1,9 mil milhões de crianças e 140 Estados.

 

Também nas alterações climáticas os objectivos estão longe de ser cumpridos, com outro relatório publicado na semana passada a indicar que em 2023, cerca de 670 milhões de pessoas a nível global vão passar fome, muitas delas devido a fenómenos extremos como inundações e secas. Este relatório, elaborado pela Organização metereológica Mundial indica mesmo que todos os objectivos estão comprometidos devido ao aquecimento global.

 

A pandemia também terá alguma da responsabilidade deste atraso, já que muitos programas lançados a nível internacional foram interrompidos durante quase dois anos, levando a atrasos no cumprimento dos objectivos.

 

TORRE/RFI