Corrupção em Moçambique continua um cancro – ministra
A Ministra do Interior, Arsénia Massingue, reconhece que a corrupção é um cancro que continua minando a instituição que dirige, defendendo que este não pode continuar criando raízes.
“Devemos remover todos e tudo aquilo que nos carcome internamente, impedindo-nos de trazer os resultados que a sociedade de nós espera”, disse a ministra durante a sessão de encerramento do XXXII Conselho Coordenador do Ministério do Interior (MINT).
Segundo a governante, contra a corrupção não se deve dar tréguas, pois, por mais ajustados que estejam os planos e alinhadas sejam as acções, se, no seio da instituição houver alguém que não perfilha do mesmo objectivo, “certamente que a nossa actuação não logrará os desígnios almejados.”
“Este factor exige de nós uma inspecção mais agressiva, mais presente e mais actuante em todos os níveis, com vista a identificar e remover do nosso seio todos que se provarem que estão desajustados aos princípios e valores que nos caracterizam”, disse.
A par disso, de acordo com a Massingue, é necessário um trabalho mais sério e célere na instrução dos processos disciplinares, obedecendo todos os trâmites previstos na Lei e que sejam consentâneos para cada tipo de comportamento ou acto irregular.
“Por isso, devemos dotar os sectores ligados à esta área, de quadros técnica e profissionalmente qualificados para o trabalho”, defendeu.
Em princípio, de acordo com a governante, um funcionário da área de inspecção ou fiscalização deve ser alguém comprometido com a missão e vigor da instituição, homens e mulheres imbuídos de valores morais e éticos inquestionáveis.
“Portanto, o primeiro trabalho começa com a purificação destas áreas e a revitalização da inteligência interna”, afirmou.
Contudo, Massingue enalteceu o esforço empreendido por todos os intervenientes, a todos os níveis e sectores da instituição que dirige, que, apesar dos constrangimentos de vária ordem, implementaram em grande medida as recomendações do Conselho Coordenador anterior, resultando na melhoria do nível e qualidade dos serviços que prestamos ao Estado e ao cidadão.
“Todavia, este resultado não nos pode levar ao sentimento de realização e, portanto, de descanso pois, mais do que resultados quantitativos, devemos aferir o impacto do cumprimento dessas recomendações na vida do cidadão, isto é, devemo-nos sentir realizados quando”, sublinhou.
Neste contexto, instou aos quadros do MINT no sentido de garantir que cidadão consiga desenvolver as suas actividades sem que a sua segurança e de seus bens sejam ameaçados.
De igual modo, quer os empresários e investidores sentirem-se seguros em empreender, investir e conseguir rendimentos do seu capital no nosso país sem temerem pelas suas vidas e liberdade, em consequência dos raptos.
Massingue exigiu, ainda, aos funcionários para tudo fazer no sentido de o cidadão puder emitir e receber os seus documentos sem constrangimentos de longa espera, entre outros.
“O cidadão estrangeiro deve sentir-se à vontade para interagir com as autoridades migratórias sem precisar de intermediários e nem temer de ser fonte de renda pessoal para algum membro; Enfim, a nossa realização plena acontecerá quando, cada um de nós, no seu sector, atestar que sua função ou actividade não constituem motivo de preocupação para o cidadão”, frisou.
Em suma, a ministra quer ver o cidadão satisfeito com a actuação da instituição.