Mineradora de rubis retoma actividade
A multinacional Gemrock anunciou a retoma das actividades de exploração de rubis em Cabo Delgado, norte de Moçambique, quase sete meses depois dos ataques às instalações mineiras da empresa, referiu a administração.
“Nós estamos muito gratos pelo apoio que o governo prestou para aumentar a segurança”, referiu Ian Charles Hannam, fundador da Gemrock, ao anunciar o regresso ao trabalho numa conferência de imprensa em Pemba, capital de Cabo Delgado, na quarta-feira (10).
“Deram-nos forças de defesa e segurança para aumentar a segurança na área e nós, como empresa, também vamos ampliar essa segurança”, disse Hannam, explicando o recurso a ‘drones’, guarda canina e outros meios electrónicos.
Toda a segurança vai abranger também as aldeias onde vivem os trabalhadores, acrescentou.
“Estive aqui uma semana e acredito que é seguro voltarmos a reabrir as actividades”, acrescentou Colin John Andrews, director de operações da Gemrock, antes de voltar a Londres.
Ao cabo de sete meses, segundo a Lusa, Hannam referiu que “houve prejuízos enormes” com a empresa parada e sem receita “para conseguir pagar aos funcionários” - cerca de 500 -, referindo que a principal vítima foi “a economia local”.
No entanto, a segurança é primordial. “Os equipamentos podem-se substituir, mas a vida das pessoas não”, salientou.
“Queremos ajudar Moçambique a desenvolver-se e as pessoas da região a ganharem dinheiro e serem prósperas. Tudo o que queremos que o Governo faça é dar-nos espaço de trabalho e segurança, é simples”, concluiu.
A Gemrock é uma das empresas que exploram rubis e grafite na faixa sul de Cabo Delgado, encostada à província de Nampula, e que até 2022 esteve livre dos ataques armados que afectavam o extremo nordeste, em Palma e Mocímboa da Praia, junto aos projectos de gás.
Com o reforço militar a nordeste, a violência foi surgindo para sul.
As empresas mineiras tiveram vários episódios de evacuação de instalações e suspensão de actividades devido a ataques nos seus espaços ou nas imediações, em 2022, mas a segurança melhorou e a actividade tem sido retomada.
Estes ataques terroristas que Cabo Delgado enfrenta há cinco anos têm contado com alguns reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.
O conflito já fez um milhão de deslocados, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED.