Obras da brasileira Odebrecht levam mais processos contra Manuel Chang
O antigo ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, é acusado de se ter beneficiado de dinheiro de corrupção para facilitar obras da empreiteira brasileira Odebrecht em Nacala, província nortenha de Nampula, e Beira, na central de Sofala.
Detido na África do Sul desde Dezembro de 2018, onde espera ser extraditado para os Estados Unidos da América para responder a crimes relacionados com as chamadas 'dívidas ocultas', Manuel Chang é agora acusado em Moçambique pelos crimes de corrupção passiva para acto ilícito, participação económica em negócio, abuso de cargo ou função e branqueamento de capitais.
Um comunicado de imprensa do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) emitido esta segunda-feira (28), afirma que Chang e outro ex-ministro e mais duas pessoas, cujos nomes não revela, receberam pagamentos indevidos da construtora brasileira Odebrecht para facilitar projectos em Nacala e Beira, “no âmbito do projecto de infra-estruturação e implementação da Zona Franca Industrial de Nacala e na construção do Terminal de Carvão na cidade da Beira'.
O processo já foi entregue ao Tribunal Judicial da cidade de Maputo para procedimentos subsequentes, conclui o comunidade recebido pala VOA.
A Odebrecht chegou a Moçambique em meados dos anos 2000, depois de uma primeira tentativa nos anos de 1990, para trabalhar com a mineradora brasileira Vale no projecto de produção de carvão de Moatize I, na província central de Tete, e mais tarde participou da expansão do projecto, em Moatize II.
A empreiteira brasileira também fez um terminal no porto da Beira, utilizado pela Vale para exportar carvão e construiu o aeroporto de Nacala.
Em 2017 o Departamento de Justiça norte-americano divulgou vários escândalos de corrupção envolvendo a Odebrecht. A construtora brasileira terá pago subornos avaliados em 788 milhões de dólares em 12 países africanos e latino-americanos, entre eles Angola e Moçambique.
No caso de Moçambique indicava que altos funcionários do Governo teriam recebido cerca de 900 mil dólares entre 2011 e 2014, na construção do aeroporto de Nacala, que custou ao Estado moçambicano 216,5 milhões de dólares.