Parque do Limpopo precisa de 10 milhões de euros para reassentar 800 famílias
O Parque Nacional do Limpopo (PNL) precisa de mobilizar cerca de 10 milhões de euros para reassentar 800 famílias residentes no interior desta área de conservação transfronteiriça, localizada na província meridional de Gaza, em Moçambique.
Para a materialização do desiderato, o governo do distrito de Massingir, as autoridades do PNL e parceiros estão em negociações avançadas com Banco Alemão de Desenvolvimento (KFW), para encontrar uma fonte de financiamento da operação.
Trata-se da comunidade de Mavoze, estabelecida dentro do parque há vários anos e com meios de vida já estabilizadas, que tem como actividade principal a agricultura de subsistência e criação de gado. Infelizmente, amiúde choca com o plano de maneio da vegetação nativa e fauna-bravia.
O processo de reassentamento, que iniciou em 2012, já conseguiu tirar para fora do parque quatro comunidades. A última foi a de Bingo Chitar, constituída por 200 famílias, estando em curso a construção de cerca de 300 casas para reassentar a comunidade em questão, que, devido a morosidade do processo foi crescendo ao longo do tempo.
A retirada desta comunidade da área de conservação, descrita como sendo de capital importância para a actividade de ecoturismo dentro do parque, é apontada como principal fonte de receita, não só para as actividades de conservação, bem como para o sustento das comunidades através repassagem de uma parte das receitas resultantes da actividade do turismo.
O facto foi avançado há dias, em Massingir, pela administradora do distrito, Esmeralda Muthemba, num contacto estabelecido com a Torre News.
“Neste momento precisamos de 10 milhões de euros para evacuarmos toda a comunidade de Mavoze que tem 800 famílias. O processo de reassentamento levou muito tempo, por isso as populações foram crescendo e com isso cresceu também o orçamento”, disse administradora.
O valor será investido na construção de casas, compensação das famílias, sua transferência para as novas zonas identificadas, preparação dos campos agrícolas, construção de infra-estruturas sociais, entre outras actividades associadas com o exercício.
“Esse valor, para além da construção das casas, deverá cobrir despesas das infra-estruturas secundárias, construção de celeiros, curais para animais, transporte do gado e outros pertences das comunidades”, salientou.
Segundo a fonte, a retirada das comunidades no interior do parque é irreversível, porque disso depende a implementação do plano para a maximização da rentabilização da área de conservação. Mais ainda, urge resolver definitivamente o conflito Homem-fauna bravia naquele local, com todos riscos que isso acarreta.
Concluído o reassentamento da comunidade Mavoze, o passo a seguir será a retirada das comunidades de Machamba com 135 famílias e Chinang com 145 famílias, residentes no interior do PNL.
O Parque Nacional do Limpopo é uma área de conservação que abarca quatro distritos da zona norte da província de Gaza, nomeadamente, Massingir, Mabalane, Mapai e Chicualacuala.