Perdas por desastres naturais estimadas em 1,3% do PIB
O governo moçambicano estima que os desastres naturais que assolaram o país, nos últimos 20 anos, geraram perdas na ordem de 1,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).
Os choques naturais mais devastadores na economia foram ciclones, cheias, secas severas, bem como a mais recente crise sanitária (pandemia da Covid-19).
Aliás, o governo estima que só em 2020 a Covid-19 afectou negativamente o crescimento económico na ordem de 3,6 por cento, bem como reduziu a taxa de emprego em 1,9 por cento.
Contribui igualmente para a contracção da economia durante o período referido, a insurgência armada na província de Cabo Delgado, zona norte, que tem estado a exercer uma grande pressão fiscal.
A insurgência acabou retardando o curso normal dos projectos de Gás Natural Liquefeito, e afectou os sectores do comércio, alojamento e mineração.
Os dados foram revelados pela Vice-ministra da Economia e Finanças, Carla Louveira, durante o Fórum Económico e Financeiro, evento que tinha por objectivo reflectir sobre as perspectivas de investimento e financiamento à economia.
“Como é do conhecimento de todos, Moçambique é um dos países mais afectados pelos desastres naturais o que, de acordo com estimativas mais recentes, gerou perdas estimadas em 1,3% do PIB nos últimos 20 anos”, disse a ministra.
Apesar das adversidades o governo perspectiva para próximos anos uma expansão do investimento público, influenciada pelo alívio das restrições ao financiamento externo com um novo programa do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A fonte afirma que desde 2022 é notável uma evolução positiva, tendo o país, registado uma taxa de crescimento do PIB real de 4,1 por cento, situando-se acima da média da região da SADC que foi de 3,8 por cento, reflectindo a dinâmica da retoma da actividade económica ao nível do país.
Vincou que as perspectivas económicas para médio prazo são positivas, graças a consolidação da recuperação económica, com a taxa de crescimento média em cerca de 6,4 por cento ao ano, fortemente influenciada pela implementação dos projectos do gás.
O executivo refere que também já foi definido o esboço do enquadramento legal do Fundo Soberano, que tem como objectivo assegurar que as receitas petrolíferas sejam colocadas ao serviço da economia e um escudo para a volatilidade.