PGR acusa polícia de atentar contra a vida de Nini Satar

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa dois membros da Polícia da República de Moçambique (PRM) e três reclusos na cadeia de máxima segurança, vulgo BO, de tentar assassinar Nini Satar.

Julho 12, 2022 - 15:53
Julho 12, 2022 - 16:55
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa dois membros da Polícia da República de Moçambique (PRM) e três reclusos na cadeia de máxima segurança, vulgo BO, de tentar assassinar Momade Assif Satar, mais conhecido por Nini Satar, que se encontra a cumprir uma pena de prisão.


A PGR explica em comunicado, enviado hoje à AIM, que cinco dos seis indiciados, dos quais dois membros da PRM e três internos da penitenciária são acusados por crimes de armas proibidas e associação criminosa.


Os cinco são acusados de terem orquestrado um plano de tirar a vida de Nini Satar, mediante pagamento de 40 milhões de meticais (624 mil dólares). Entretanto, os suspeitos já foram notificados pelo Tribunal Judicial da Província de Maputo.


“Porque um dos indiciados continua a monte, foi aberto um processo autónomo para devidos procedimentos de responsabilização do mesmo”, lê-se no documento.


Os dois agentes são da Unidade de Intervenção Rápida, da PRM.


Refira-se que Nini Satar se encontra encarcerado na BO a cumprir o resto de uma sentença de 24 anos pelo seu envolvimento no assassinato do conceituado jornalista investigativo moçambicano, Carlos Cardoso, ocorrido em Novembro de 2000.

Ele foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão, por ter participado no assassinato de Carlos Cardoso, mas em 2014, foi restituído a liberdade condicional, depois de cumprir apenas metade da pena por bom comportamento.


No final de 2014, o juiz Adérito Malhope autorizou o pedido de Satar para viajar para o estrangeiro, para tratamento médico na Índia, embora não tenha sido referido qual a condição de que sofria e que necessitava de tratamento fora de Moçambique.

A PGR continuou a investigar as ligações de Nini Satar com os raptos e o seu nome constava do boletim de ocorrência em dois processos abertos no início de 2017.


À luz destas constatações, a PGR emitiu um mandado de detenção internacional e o Tribunal Judicial da Cidade de Maputo revogou o estatuto de liberdade condicional de Nini Satar.


A partir desse momento, passou a ser um fugitivo, e as autoridades moçambicanas recorreram à ajuda da Interpol para o localizar.


Ele acabou sendo encontrado na Tailândia, onde foi preso em 25 de Julho. Foi deportado e encontra-se actualmente detido na BO.