Procedimentos na fronteira de Ressano Garcia geram prejuízos aos CFM

A morosidade dos procedimentos aduaneiros na fronteira de Ressano Garcia, que liga Moçambique à África de Sul, está a gerar enormes prejuízos à empresa pública Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM).

Outubro 5, 2022 - 17:02
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Miguel Matabel, Presidente do Conselho de Administração dos CFM, disse que, devido a esta situação, a sua empresa perdeu nos últimos meses cerca de 1,5 milhão de randes.


Falando esta semana, em Maputo, o gestor dos CFM detalhou que apesar do acordo assinado, recentemente, com a sua congénere da África do Sul para a remoção da fronteira ferroviária em Ressano Garcia, as locomotivas são obrigadas a permanecer no local, por até 10 horas, à espera de despachos aduaneiros, facto que torna aquele corredor menos produtivo do que se previa.

Aliás, a expectativa é que a remoção das fronteiras ferroviárias permitisse o aumento dos níveis de produção e redução do tempo de espera no corredor de Maputo. “Esta situação é constrangedor porque ao assinarmos o acordo com a nossa congénere da África do Sul pretendíamos eliminar os longos períodos de espera que observávamos para a troca de locomotivas, mas surgiu este fenómeno alfandegário, que até certo ponto belisca a credibilidade do país”, lamentou Matabel.


O PCA dos CFM indicou que a longa espera devido aos procedimentos aduaneiros em Ressano Garcia preocupa ainda mais a sua companhia quando se tem em conta que o transporte ferroviário, sobretudo de minérios, enfrenta uma forte concorrência dos operadores rodoviários.

 

“Como empresa, também temos estado a direccionar enormes investimentos em meios circulantes para fazer face à demanda e quando encontramos barreiras, geram-se prejuízos difíceis de recuperar”, indicou Matabel considerando urgente a tomada de medidas correctivas.


Nos últimos dias, os CFM iniciaram o processo de descarregamento de 150 vagões que fazem parte de um de lote de 300 unidades adquiridas este ano para o reforço nos sistemas ferroviário Sul e Centro.

 

A ambição da empresa é colocar, à disposição dos clientes, mais de 900 vagões para o transporte de diversas mercadorias com destino a mercados interno e dos países vizinhos.

 

No total, Matabel fala de investimentos de cerca de 29 milhões de dólares norte-americanos, disponibilizados pela banca para a aquisição dos equipamentos.