"Quando os que comandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito"

Estas palavras, proferidas pelo filósofo, escritor e matemático alemão Georg Lichternberg, ressoam profundamente nos corredores da nossa Assembleia da República e, por extensão, em toda a nação. Na última quarta-feira, 20 de Dezembro, testemunhámos um episódio que abalou a confiança nas nossas instituições e lançou uma sombra sobre a saúde da nossa jovem democracia.

"Quando os que comandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito"

Antes de mergulharmos na análise deste lamentável acontecimento, é imperativo esclarecer que defendemos firmemente a normalidade nas instituições, a democracia civilizada e o Estado de Direito. Não somos apologistas do autoritarismo nem da anarquia. Estamos comprometidos com uma sociedade onde as regras e os valores democráticos prevaleçam.

 

 

O incidente na Assembleia da República, como sublinhou o Bastonário da Ordem dos Advogados, Carlos Martins, não é apenas um sintoma de instituições doentes; é um reflexo do estado crítico em que se encontra todo o nosso país, do Rovuma a Ponta do Outro e do Zumbo ao Índico.

 

 

Os apupos, as vaias e os cânticos satíricos dirigidos ao Presidente da República, durante a apresentação do Informe sobre o Estado da Nação, marcam o clímax de uma luta persistente pela justiça eleitoral liderada pela Renamo. Essa batalha também se manifesta em confrontos com a polícia, questionamentos sobre os órgãos de governo eleitoral e desafios ao Conselho Constitucional, tudo devido às alegações de fraude que beneficiaram o partido no poder, a Frelimo, cujo líder é Filipe Nyusi. As instituições envolvidas no processo eleitoral enfrentam uma crise de credibilidade e confiança.

 

 

No entanto, ninguém poderia prever que a Renamo chegaria ao ponto de virar as costas ao Presidente da República e interromper o seu discurso, perante o escrutínio internacional. Nyusi viu a sua autoridade ser minada, a sua credibilidade posta em causa e a sua imagem chamuscada. O evento de 20 de Dezembro deixará uma cicatriz na memória do Presidente. 

 

 

Foram quase três horas de cânticos sarcásticos e deputados em pé gritando "ladrões" e "queremos os nossos votos", entre outros slogans. O Presidente foi forçado a elevar o tom de voz para ser ouvido, tentou abandonar o pódio, mas não tinha alternativa. Ele estava lá cumprindo com uma obrigação constitucional e regimental, não por escolha pessoal.

 

 

No entanto, cabe-nos agora expressar a nossa posição sobre este incidente. A atitude da Renamo desencadeou um caos na Assembleia da República, um ambiente que não se coaduna com os princípios de convivência democrática. Virar as costas a alguém é, para nós africanos, um gesto de profundo desrespeito. O que almejamos é uma relação saudável entre os poderes do Estado, baseada no respeito mútuo e na busca da melhor governação para os nossos cidadãos.

 

 

Entendemos, no entanto, que esta postura foi uma resposta a um grupo de indivíduos e instituições envolvidos em maquinações fraudulentas, incluindo o Presidente da Frelimo, Filipe Nyusi, Roque Silva, Celso Correia, os tribunais, o Conselho Constitucional e os órgãos de governo eleitoral (Comissão Nacional de Eleições e Secretariado Técnico de Administração Eleitoral). 

 

 

Estas figuras e instituições carregam uma responsabilidade significativa para a saúde da nossa democracia, mas, lamentavelmente, parecem ter negligenciado essas obrigações, comprometendo a democracia e desrespeitando a lei.

 

 

A citação de Georg Lichternberg ressoa com força nestes tempos críticos: "Quando os que comandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito". Como nação, é crucial que façamos uma reflexão profunda sobre o nosso rumo político e institucional. Devemos restaurar a confiança nas nossas instituições e proteger os valores democráticos que tanto prezamos.

 

 

A jornada rumo à normalidade e à justiça eleitoral será árdua, mas é uma jornada que devemos empreender juntos, com respeito mútuo e com a determinação de construir uma sociedade que honre os princípios democráticos e o Estado de Direito. 

 

 

Neste momento crucial, apelamos aos nossos líderes e cidadãos para que se unam em busca de um futuro mais justo e democrático para todos os moçambicanos.

TORRE