Em Maputo e Matola: FRELIMO prestes a passar à Oposição?

O experiente Partido FRELIMO acumula já certa experiência na oposição em cidades estratégicas. Importa-lhe recuperar essas “zonas libertadas ou traidoras”. E se a dinâmica de insatisfação generalizada prevalecer, consentirá a FRELIMO perder também as gigantes Maputo e Matola?

Agosto 01, 2023 - 23:01
Actualizada: 3 Anos Atrás
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Longevidade, experiência e coesão interna de um partido político podem não ser o suficiente para evitar que este perca o que tenha conquistado com sapiência, brio e abnegação. Meio século de governação centralizada embora hoje sob ditames de decentralização democrática pretensamente gradual pode ser esvaziado por alguma miopia política ainda curável.

 

É um facto inegável e a não subestimar que o tão experiente, glorioso e retumbante quanto asfixiante Partido de vanguarda revolucionária já vem somando alguma ingloriosa e “retombante” experiência sendo principal oposição política em todas as cidades estratégicas a Norte do Save. É também digno de retenção e tratamento imediato, para quem tenha o poder e o povo no coração deste Moçambique hodierno, que se as dinâmicas de insatisfação generalizada prevalecerem em subida galopante, a FRELIMO multiplicará aflições do povo que a ela e com ela ainda se mostra assaz confiante, leal e seguro como a habituou pelo voto.

 

Porém, tempos mudam e insensibilidades dos soberanos mudam hábitos eleitorais dos súbditos. Essa multiplicação de aflições vai incubando uma cada vez maior oposição à FRELIMO, precisando esta de uma alternativa endógena para que nada a possa empurrar à oposição governativa nas importantes cidades de Maputo e Matola. Entrementes, a confiança excessiva aos moldes tradicionais de construção de narrativas de antecipação de vitórias retumbantes, esmagadoras e asfixiantes com pomposos “teatromícios” aqui e acolá sem o prévio colmatar das aflições ora bastante agudizadas dos filhos e netos até mesmo dos seus mais religiosos membros e simpatizantes, pode constituir-se hoje num perigoso vírus político letal para a própria FRELIMO.

 

Com efeito, o estremar de desesperos por diferentes classes de munícipes nas cidades de Maputo e Matola perante uma postura de liderança menos dialogante, com tendências mais repressivas, parece instigar uma mudança da propensão de voto. Outras alternativas poderão ser escolhidas, no pleito eleitoral autárquico aprazado para 11 de Outubro, como há muito acontece nas cidades democraticamente emancipadas da Beira, Quelimane e Nampula onde camaradas votam na perdiz ou no galo, mesmo dançando marrabenta em tendas rubras fartas de maçaroca.

 

O facto tem sido recorrente em cavaqueiras entre potenciais eleitores de várias idades, que respondendo a uma dúvida metódica assim colocada: “e se a FRELIMO perder nas cidades de Maputo e Matola”, indicam haver muito trabalho por fazer para que não se duvide se nessas cidades a “FRELIMO está prestes a passar à Oposição”. Muitos dos potenciais eleitores mostram pouco espanto e até já celebram a possibilidade da alternância do poder nas cidades de Maputo e Matola, lembrando que o segredo está no voto secreto e não na cor da onda, na geometria da caravana, na opulência da passeata, no enchimento do showmício ou na extravagância do teatromício!

 

Tudo isso pode parecer apenas provocador e desmedido, porquanto inquietante aglutinar de opiniões na lavra de um pacato colunista. Todavia, configura um forte aviso à navegação para o poder do dia a quem com este artigo se pretende alertar para que pelo menos o seu eleitorado de sempre veja e sinta por si próprio, o que o prenderá numa ou o penderá noutra alternativa entre os Cabeças de Lista em vista. Na pista eleitoral de Outubro, confirmar-se-á ou refutar-se-á o título desta crónica, podendo a emenda chegar a tempo da salvação para uma justificada ovação!

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