Com nova Directora Geral: Ventos de Ordem sopram no Instituto de Investigação Agrária!

Ventos de ordem já sopram no Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) com a Professora Doutora Zélia Menete, cuja mão de ferro e intolerância à inércia, à ociosidade, à insolvência e à mediocridade é por muitos bem referida.

Setembro 24, 2023 - 07:33
Actualizada: 3 Anos Atrás
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Mais de meio ano após a surpreendente cessação da sua última Directora Geral, facto que largou o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) como um Navio sem Bússola nem Piloto em agitado alto mar do Índico, ventos de ordem começam a soprar na instituição com a entrada em cena da Professora Doutora Zélia Menete, cuja mão de ferro e intolerância à inércia, à ociosidade, à insolvência e à mediocridade é muito bem referida por onde tenha passado antes da sua indicação para o IIAM.

 

Zélia Menete, empossada a 30 de Agosto último como Directora Geral do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), é tida como aquela chave-mestra que poderá reabrir as portas das realizações da instituição. Acredita-se que a recém-empossada irá devolver a esperança que se afigurava ter sido perdida no IIAM, embora com um agregado de quadros de reconhecido porte académico e firmada experiência profissional, quiçá relegados à dúbia situação de desligados ou até aposentados enquanto ainda no activo.

 

Afinal, a prolongada vacatura no cargo mais alto do IIAM, que se estendeu de Fevereiro a Agosto de 2023 não significava que o Ministro que superintende a área de investigação agrária estivesse esquecido da sua importância ou a relegasse a um plano de último anel da cauda. O governante serviu-se desse longo interregno de vacância na direcção máxima do IIAM para uma ponderação robusta sobre quem deve conduzir a investigação agrária num contexto nacional de programas e projectos cada vez mais desafiantes com partes envolvidas crescentemente mais sapientes e exigentes.   

 

Devendo ter passado por um difícil bailado de selecção num misto de Mapiko, Niketxe e Makwaela para encontrar uma peça de liderança que sirva os interesses nacionais de investigação agrária, ao fim de muito suor, o Ministro Celso Correia terá logrado jogar uma cartada de créditos firmados para contrapor o risco de nulificação do IIAM, sua amputação do MADER e eventual passagem para o Ministério que coordena o desenvolvimento da ciência e tecnologia, como já foi pretensão de algumas assessorias ao pensamento do poder central! Sem precisar de abertura de concurso público para o provimento da vaga (como vinha sendo), o que talvez tenha embaraçado as possibilidades de escolhas, dilatando o tempo de decisão final, Celso Correia não encontrou dentro do capital humano da própria casa quem perfizesse os requisitos prescritos para tão intrincada função de Director Geral do IIAM. Se “Santos da casa não fazem milagres”, ou seus milagres não convencem ao rebanho nem a Deus, os da vizinhança podem dar o precioso socorro, pelo que à Universidade Eduardo Mondlane (UEM) terá o Ministro ido buscar a experiente Professora Doutora Zélia Menete como resposta para os melhores destinos sem desatinos da investigação agrária no país.

 

Volvidos mais de seis meses sem a figura de Director Geral, a tomada de posse de Zélia Menete, nova e robusta aposta de Celso Correia, embora antecedida de um secretismo próprio de onde tudo parece ser “Segredo de Estado”, reabre a “caixa negra” de expectativas em alta dos quadros da instituição a todos os níveis, que se ressentem de ventos de ordem, e nela auguram encontrar o filtro de todos os males que grassam e tiram graça ao IIAM. Aliás, os ventos de ordem não se fizeram esperar.

 

Até os cantos do Campus Principal do IIAM já começam a reatar o encanto com sinais de vassouradas matinais, o que parecia ter sido relegado para quando houvesse informação de chegada de grandes visitas, ou quando “algum pessoal de limpeza fosse escalado para uma missão de serviço de limpeza, colheita ou debulha de culturas fora de Maputo, devendo esse pessoal primeiro fazer as limpezas que antecediam as viagens para merecer as ajudas de custo inerentes à deslocação em missão oficial de serviço”, como referiu uma destacada servidora pública com mais de 20 anos na área de Recursos Humanos, Administração e Finanças, realçando ter tal prática propiciado um comportamento de espera de incentivos monetários para a realização das suas próprias tarefas por parte de muitos funcionários.

 

“Já se tinha chegado ao ponto de não haver cobertura orçamental para as deslocações de pesquisa propriamente dita dos investigadores porque parecia dar-se alguma primazia às missões de serviço de limpeza fora do raio habitual do funcionário, alegadamente para dar algum incentivo também ao pessoal de apoio à investigação, fazendo-se toda uma confusão de ajudas de custo com incentivos e colocando meio mundo do sector administrativo em luta por viagens mesmo sem papel relevante nelas e não necessariamente no empenho para melhores resultados da investigação agrária”, corrobora uma investigadora sénior remetendo igualmente um alerta à nova Directora Geral no que tange à gestão destes assuntos que já parecem ter ganho normalidade num país em queda livre onde a normalização do desvio da norma ter-se-á tornado vantajosa e prazerosa embora seja um grotesco atropelo à ética e deontologia profissionais e um atestado de óbito à gestão imaculada da coisa pública.

 

Das interacções que a Professora Doutora Zélia Menete teve, nas suas primeiras três semanas úteis como Directora Geral do IIAM, consta que tenha recomendado o primor pelo trabalho de todos os funcionários da instituição, aproveitando o potencial de cada um para melhor concepção, tratamento, empacotamento, disseminação e transferência de tecnologias resultantes da investigação agrária nacional. Entendendo que se deve parar de sobrecarregar uns e deixar outros sem actividade, quando afinal a instituição só pode seguir melhores rumos com uma eficiente distribuição de tarefas, a nova Directora Geral tem estado a instar que se paute pela planificação periódica de curto prazo ao nível dos Departamentos e das Direcções Técnicas do IIAM e não esperar por acções de última hora, de que até se tem noção da sua periodicidade e se pode antecipar a sua planificação. De espantar não será se esta tónica de ventos de ordem vier a prevalecer quando muito em breve a nova timoneira do IIAM for visitar os quatro Centros Zonais de Investigação Agrária com sedes em Chókwè, Chimoio, Nampula e Lichinga. A nossa coluna ficará atenta para trazer aos leitores os ecos dos ventos de ordem que já começam a soprar no IIAM.   

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