Lixeira de Hulene tem pelo menos quatro elementos químicos prejudiciais à saúde

Um estudo ambiental identificou a presença nos arredores da lixeira do Hulene, na cidade de Maputo, capital de Moçambique, de elementos químicos como chumbo, cobre, manganês e cobalto, entre outras prejudiciais a saúde.

Lixeira de Hulene tem pelo menos quatro elementos químicos prejudiciais à saúde

Trata-se de um estudo intitulado “Modulação dos impactos ambientais e de saúde nos arredores da Lixeira de Hulene”, realizado para a obtenção do grau de Doutoramento pelo investigador da Universidade Pedagógica de Maputo, (UP-Maputo), Bernardino José Bernardo.

 

Bernardino Bernardo disse que o estudo realizado de 2009 a 2023 indicou ainda que as hortas situadas distante da lixeira de Hulene também apresentam elevados níveis de contaminação.

 

“Isso é perto de 180 a 190 amostras de solos de água subterrânea, que é a que bebemos, levei também para Portugal amostras de plantas comestíveis, que são plantas que as pessoas produzem nos seus quintais em volta da lixeira que nós desconfiávamos que estavam impactadas pela contaminação, principalmente pelas cinzas, porque as cinzas se dispersam a distâncias relativamente maiores de 600 a 800 metros depois da lixeira” disse.

 

Vincou que “é interessante porque o estudo comprovou essa nossa teoria de que as mesmas hortas que são produzidas em distâncias relativamente maiores da lixeira são impactadas infelizmente pela lixeira”.

 

O investigador afirmou que as crianças residentes próximo àquele depósito de resíduos sólidos apresentam riscos altos de contaminação por elementos considerados tóxicos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

“E uma das coisas que nos preocupa muito é o chumbo, o chumbo cria muitos problemas para as crianças. Cria problemas de concentração, as crianças têm dificuldade de concentração e a UP é muito vocacionada na formação de professores, então a formação de professores é para ensinar as crianças”, referiu.

 

Bernardo anotou que aspectos bioéticos proibiram a realização de testes voluntários nas pessoas que vivem em redor da lixeira do Hulene.

 

Sobre o destino da Lixeira depois de encerrada, a fonte sugere que o local seja vendido para que a sua gestão não se torne um encargo para o Estado.

 

Segundo a fonte, a lixeira do Hulene pode igualmente ser transformada em um centro de pesquisa ambiental, à semelhança do que acontece  com algumas lixeiras encerradas na Europa.