Crescimento económico Moçambicano refém do sucesso dos Mega Projectos de Gás

O Governo de Moçambique estima que a economia do país poderá registar um crescimento anual na ordem dos 10% até 2030, contanto que os grandes projectos de gás natural liquefeito (GNL) estejam plenamente operacionais.

Crescimento económico Moçambicano refém do sucesso dos Mega Projectos de Gás

Esta previsão surge num contexto de recuperação económica pós-pandemia, após uma queda significativa do crescimento de 2,3% em 2019 para -1,1% em 2020, devido aos impactos globais da Covid-19. 

 

O país já mostra sinais de recuperação, com um crescimento de 4,15% em 2022 e expectativas de alcançar 5,56% em 2023, projectando-se um aumento progressivo até 8,5% em 2028.

 

Contudo, o avanço destas previsões está intrinsecamente ligado à evolução de dois grandes projectos de GNL, actualmente paralisados. 

 

A TotalEnergies, gigante no sector de petróleo e gás, suspendeu as actividades no seu projecto em Abril de 2021, face a ataques de terroristas islâmicos em Palma, embora recentemente tenha manifestado interesse em retomar as operações na Área 1 da Bacia do Rovuma, condicionado a uma melhoria das condições de segurança. 

 

Paralelamente, a ExxonMobil, em colaboração com a Eni, pondera a sua participação na Área 4, ainda sem uma Decisão Final de Investimento anunciada.

 

Destaca-se ainda um terceiro projecto na Área 4, já em funcionamento desde Novembro de 2022, com uma capacidade de produção de 3,4 milhões de toneladas anuais de GNL, contribuindo para o potencial produtivo total de cerca de 31,5 milhões de toneladas por ano, quando consideramos os três projectos em plena operação.

 

Segundo a consultora financeira americana Deloitte, as reservas de gás natural de Moçambique podem representar uma receita potencial de 100 mil milhões de dólares, posicionando o país como um dos dez maiores produtores mundiais de gás e responsável por 20% da produção africana até 2040. 

 

Esta perspectiva, contudo, permanece dependente da estabilidade e segurança na região, sem as quais projectos como o da TotalEnergies e da ExxonMobil poderão não avançar.