INS cria capacidade para avaliar susceptibilidade de parasitas aos antimaláricos

O Instituto Nacional de Saúde (INS), em colaboração com o Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, está a trabalhar no sentido de criar capacidade técnica para a realização de ensaios in-vitro e ex-vivo para avaliar a susceptibilidade dos parasitas da malária.

INS cria capacidade para avaliar susceptibilidade de parasitas aos antimaláricos
Pessoal de saude

O Instituto Nacional de Saúde (INS), em colaboração com o Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, está a trabalhar no sentido de criar capacidade técnica para a realização de ensaios in-vitro e ex-vivo para avaliar a susceptibilidade dos parasitas da malária (Plasmodiumfalciparum) aos medicamentos actualmente usados em Moçambique.


No passado, o país usou alguns fármacos tais como a Cloroquina (CQ) e a Sulfadoxinia-perimetamina (SP) para o controlo e tratamento da malária não complicada, Porém, com o tempo, estes fármacos perderam a sua eficácia, porque os parasitas causadores da doença ganharam resistência.

Segundo o pesquisador do INS e coordenador das provas in vitro e ex vivo, Agostinho Teófilo, nesta terapia, a possibilidade de selecção de parasitas resistentes é reduzida, dado que a maior parte da carga parasitária é eliminada pela rápida acção da artemisinina (ART) e/ou seus derivados.


O pesquisador assinala que, infelizmente, apesar de se ter introduzido a terapia combinada, surgiram as primeiras evidências em várias partes do mundo, indicando que os parasitas da malária estão a ganhar resistência daí a necessidade da condução de ensaios em curso.


'Há necessidade de se fazer uma vigilância contínua da sensibilidade dos parasitas aos antimaláricos, de forma que seja possível detectar mudanças na susceptibilidade de parasitas a determinadas drogas, assim como sua dispersão, permitindo que se efectue, caso necessário, uma revisão das recomendações terapêuticas, para instituir novas políticas de tratamento com maior impacto, baseadas em evidências concretas em tempo real', afirmou.


Teófilo explicou que as técnicas referidas consistem na aplicação de amostras colhidas em pacientes com teste positivo para malária numa placa contendo fármacos em determinadas concentrações e incubadas numa estufa a 37° C para o respectivo cultivo, devendo o resultado aparecer entre 48 e 72 horas.

'Depois de 48 a 72 horas, dependendo do fármaco, verificamos se os parasitas naquela dosagem sobreviveram ou morreram. Isto já vai nos dar a sensibilidade daqueles parasitas em relação a um determinado fármaco. Se os parasitas morrem, significa que há uma sensibilidade em relação ao fármaco. Se não morrerem, significa que estamos perante uma possível resistência', esclareceu, realçando a relevância da monitoria das drogas usadas.


A fonte avançou que ambos os ensaios, in-vitro e ex vivo, servem como sinal de alerta, sobretudo para detectar o grau de resistência e eficácia dos fármacos usados no país para o tratamento da malária.


Com o exercício em curso, segundo o entrevistado, espera-se que os testes de susceptibilidade sejam úteis para a instalação da vigilância sanitária contínua, expandindo-se para os outros laboratórios de saúde pública do INS, para auxiliar a elaboração de políticas e o processo de tomada de decisões neste ramo.

Os testes estão a ser conduzidos com quatro drogas, actualmente em uso no país, nomeadamente Dihidroartemisinina, Piperaquina, Amodiaquina e Lumefantrina.


Em consequência do aumento das taxas de morbimortalidade e da dispersão mundial de isolados de Plasmodiumfalciparum resistentes à Cloroquina e Sulfadoxina-Pirimetamina, a Organização Mundial da Saúde, desde 2001, recomenda o uso da terapia combinada na base de derivados de Artemisinina (ACT), como primeira linha de tratamento.