Deixem a Comunicação para quem entende: Um apelo à excelência

Neste texto, destaco a importância fulcral de uma comunicação eficaz e defendo veementemente que esta tarefa vital deve ser confiada apenas a profissionais qualificados. Partilho as minhas observações e experiências pessoais para ilustrar como a desvalorização da comunicação e a intervenção de amadores podem resultar em mensagens confusas e prejudicar a reputação de uma instituição. Recorro a exemplos práticos e a uma análise crítica para apelar ao reconhecimento da comunicação como uma arte e ciência complexas, que exigem um conhecimento especializado para estabelecer ligações significativas entre instituições e pessoas.

Deixem a Comunicação para quem entende: Um apelo à excelência

Ah, a comunicação! Esse universo cativante, onde todos parecem convencidos de possuir um dom especial, quase um sexto sentido, que os qualifica como especialistas. Desde que me aventurei nesse campo em 2008, tenho sido testemunha – e, confesso, por vezes me diverti – com as situações insólitas que surgem quando a comunicação é deixada nas mãos daqueles que confundem "falar" com "comunicar".

 

É intrigante observar como todos, do estagiário ao PCA, parecem ter uma opinião definitiva sobre como se deve comunicar. "Ah, eu sempre me expressei bem, logo, sei comunicar!" – proclamam eles, com um fervor quase juvenil. E assim, inúmeras instituições, sejam públicas ou privadas, em um acto de sabedoria questionável, decidem que qualquer pessoa está apta a gerir a comunicação. Afinal, o que poderia dar errado ao confiar uma função tão vital a amadores bem-intencionados?

 

Bem, a resposta é: uma infinidade de coisas. A comunicação, quando executada com maestria, é uma dança delicada, uma fusão de arte e ciência, que equilibra mensagem, tom e timing, e tem o poder de influenciar e envolver o público. No entanto, nas mãos erradas, pode se transformar em um verdadeiro desastre. Mensagens inconsistentes, confusas e, às vezes, absurdamente contraditórias tornam-se frequentes. O resultado? Uma reputação manchada, crises desnecessárias, oportunidades desperdiçadas e, o mais lamentável, um público perplexo e desorientado.

 

Durante minha carreira, encontrei gestores que, com a maior seriedade, reduziam a comunicação a um mero capricho visual. "Precisamos de um design mais vibrante aqui, e que tal um evento com balões e música alta ali?" – sugeriam, como se a comunicação se limitasse a festividades e folhetos coloridos. E, enquanto se perdem em trivialidades, a verdadeira essência da comunicação, aquela que genuinamente alcança e toca as pessoas, lhes escapa por entre os dedos.

 

E, claro, a ironia não para por aí. Os profissionais de comunicação, aqueles que realmente dedicaram anos de estudo e prática para aprimorar sua arte e ciência, frequentemente são eclipsados por "especialistas" momentâneos. Refiro-me àquele colega que leu um artigo sobre comunicação na internet e subitamente se autoproclamou o novo guru da área. Sim, esses indivíduos estão por toda parte.

 

Em Moçambique, esta tragicomédia ganha contornos ainda mais singulares. Com nossa rica tradição oral e paixão pela palavra, muitos se consideram naturalmente aptos para a comunicação. E, enquanto instituições inteiras são geridas com base em suposições e palpites, os verdadeiros profissionais de comunicação observam à distância, frequentemente com uma mistura de desânimo e senso de humor.

 

Ao final do dia, a comunicação é a ponte que conecta instituições e pessoas. É a voz, o coração e, muitas vezes, a alma de uma organização. E, como qualquer ponte que se preze, precisa ser robusta, confiável e bem estruturada. Confiar a comunicação a amadores é como entregar a construção de uma ponte a alguém que, uma vez, fez um castelo de areia na praia.

 

Portanto, faço um apelo sincero: deixem a comunicação nas mãos de quem realmente entende do assunto. Para aqueles que estudam, vivem e respiram essa arte todos os dias. Porque, acreditem, comunicar vai muito além de palavras eloquentes e designs atraentes. Trata-se de conectar, emocionar e, acima de tudo, compreender a essência humana. E isso, meus caros, é uma tarefa para especialistas.