Lilinho Micaia "volta à casa!"

A Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, inaugurou no sábado (20), em representação do Presidente da República, Filipe Nyusi, a Praça Marcelino dos Santos, onde está, igualmente, erguida a estátua do nacionalista e pan-africanista que, se fosse vivo, completaria 94 anos na ocasião. A praça foi implantada no Posto Administrativo de Lumbo, Ilha de Moçambique, local onde Marcelino dos Santos nasceu.

Lilinho Micaia "volta à casa!"

Segundo uma nota do Ministério da Cultura e Turismo, foi através da entrega abnegada a causas nobres e colectivas, nas várias frentes de luta travadas em prol da construção do Estado e da libertação dos povos de África que em 2015 foi agraciado com o título de Herói da República de Moçambique, ainda em vida, pelo Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi. Vários outros títulos, homenagens e condecorações foram atribuídos a Marcelino dos Santos, a nível nacional e internacional. 

 

Conforme descrevem as autoridades, esta é mais uma iniciativa que visa prestar homenagem a uma das figuras cujo percurso de vida é indissociável da História contemporânea de Moçambique e do processo de edificação do Estado moçambicano, desta vez, protagonizada pela Associação Marcelino dos Santos.

 

Eldevina Materula referiu na ocasião que, com a praça, "imortalizamos a sua imagem, os seus valores e as suas ideais, pois, além da estátua, o conjunto monumental é complementado por painéis didácticos com informação histórico-cultural essencial para a educação patriótica e patrimonial, com relevância para a definição da nossa identidade".

 

Acrescentando, Materula avançou que "Marcelino dos Santos é uma personalidade incontornável na história da luta nacional contra a dominação colonial. É, igualmente, uma figura que não se dissocia das conquistas e realizações contemporâneas e, principalmente, no processo de edificação do Estado moçambicano."

 

Segundo a governante, no mundo das letras, o Herói Nacional tem como pseudónimos Kalungano ou ainda Lilinho Micaia.

 

A Ministra afirmou ainda que "a Praça Marcelino dos Santos deve assumir o seu papel como símbolo da memória, bem como local de lazer ou turístico e fonte de aprendizagem. Neste sentido, é fundamental que, a vários níveis e de forma integrada, sejam criadas condições técnicas e institucionais para o cumprimento do papel que se espera do monumento."

 

 

Já o Presidente da República, Filipe Nyusi, através da sua conta oficial do Facebook, disse que foi no dia 20 de maio de 2023, que o nosso ícone, Marcelino dos Santos, falecido a 11 de fevereiro de 2020, completaria 94 anos de idade. Primeiro dentre os primeiros patriotas, Marcelino dos Santos foi o personagem central no processo da formação de uma consciência nacionalista, não só moçambicana, mas de uma negritude que então se sentia oprimida pela colonização global.

 

"Desde os primórdios dos movimentos nacionalistas africanos e não só, o seu inconformismo esteve presente em quase todas as frentes de luta, com destaque para a frente diplomática, onde o seu nome granjeou respeito em várias capitais do mundo", descreveu.

 

 

Prosseguindo, Filipe Nyusi garantiu que "não será a tua morte que vai condicionar a nossa sincera homenagem à tua trajectória de nacionalista convicto, praticante e difusor da necessidade de liberdade dos povos. Não é a morte que vai nos usurpar o nosso direito de reconhecer o teu inestimável legado para a consciencialização dos moçambicanos sobre a necessidade da liberdade."

 

"Dedicaste toda a tua juventude a criar bases sustentáveis que levaram à independência de Moçambique através da tua veia diplomática que carregou a tua mensagem ao mundo, com destaque para os teus notáveis discursos proferidos na então Organização para a Unidade Africana (OUA), na Conferência de Solidariedade Afro-Asiática assim como nas Nações Unidas.

Foi com a tua veia diplomática que em 1970 granjeaste o reconhecimento do Papa ao ser recebido no Vaticano e ter das mãos do Sumo Pontífice um exemplar da encíclica papal Populorum Progressio sobre os problemas do mundo subdesenvolvido. Era o sinal do reconhecimento da justeza da tua luta. Da nossa luta", declarou Nyusi.

 

Para Nyusi, "não vamos chorar porque queremos celebrar a tua vida. Hoje celebramos a vida de um nacionalista convicto; de um poeta de liberdade; de um diplomata de consensos e de um dirigente focado nos problemas do povo, mas acima de tudo celebramos a vida de um homem de crenças inabaláveis.

Não será a morte que vai nos limitar de dar a devida homenagem ao fio condutor que conecta todas as fases da história recente de Moçambique, cujo esplendor da sua passagem por ela faz brilhar a necessidade do patriotismo, sacrifício, foco e determinação para atingir objectivos supremos para o bem do povo."

 

De acordo com Nyusi, "hoje te celebramos Kalungano porque abriste-nos este espaço para esta celebração através do teu sacrifício altruísta e desinteressado!"

 

Quem também teceu fortes elogios ao herói Kalungano, foi o antigo Presidente da República, Armando Emílio Guebuza, que através de uma publicação na sua página oficial do Facebook, escreveu que "hoje celebramos a tua vida e não a tua morte, Kalungano."

 

Conforme descreveu o acto, o antigo Presidente da República, "acabamos de inaugurar a estátua em homenagem ao camarada Marcelino, no Lumbo, sua terra natal. Ela tem 2 metros de altura, é de bronze, e pesa meia tonelada. Se ainda fisicamente entre nós, o camarada Marcelino celebraria, hoje, 94 primaveras. A sua memória é inesquecível. Ontem, a fundação que leva o seu, presidida pelo camarada Eduardo Nihia, organizou aqui na Ilha de Moçambique, onde nos encontramos neste momento, um simpósio sobre a vida e obra desse embondeiro da nossa libertação. Os heróis não morrem."

 

De referir que nos últimos anos, o executivo moçambicano vem implantando estátuas em diferentes locais do País com vista a eternizar a heroicidade dos diferentes nacionalistas que ao longo da sua vida lutaram para libertar a terra e o povo do jugo colonial.