DINEMBO: proposta para o resgate do símbolo de identidade cultural do povo Makonde

Maputo, 20 de Jun (AIM) – Esta patente na Galeria do Porto de Maputo, desde sexta-feira, a exposição denominada DINEMBO, que significa tatuagem em língua falada no planalto dos makondes, na província de Cabo Delgado zona norte do país.

DINEMBO: proposta para o resgate do símbolo de identidade cultural do povo Makonde
DINEMBO: proposta para o resgate do símbolo de identidade cultural do povo Makonde

Maputo, 20 de Jun (AIM) – Esta patente na Galeria do Porto de Maputo, desde sexta-feira, a exposição denominada DINEMBO, que significa tatuagem em língua falada no planalto dos makondes, na província de Cabo Delgado zona norte do país.

 

Composto por 35 telas, as obras representam uma sugestão para o resgaste da mais alta expressão cultural do povo makonde que é a tatuagem, prática asfixiada pela introdução e sobreposição do estilo clássico europeu ao estilo tradicional makonde durante o apogeu da colonização.

 

Desenvolvido pela versátil artista moçambicana, Dora Chipande, Filha do General Alberto Chipande, um dos nomes mais sonantes da luta de libertação, a exposição, o trabalho visa rebuscar em meio ao modernismo, práticas que sofreram com as transformações sociais ao longo do tempo, nomeadamente, a tatuagem, o mapiko, as matronas, a cerâmica e a cultura do pau-preto, elementos retratados nas telas.

 

Dos quadros em exibição, 20 utilizaram técnica de gesso sobre tela e acrílico com toques de óleo, e as restantes telas foram feitas à fibra de banana, resultante da parceria da artista com a plataforma Makovo, com vista a desenvolver arte sustentável, retratando a mesma temática da cultura maconde.

 

O momento mais alto da exposição, consistiu num leilão do quadro principal, na qual a artista exterioriza a sua visão de paz em relação ao Massacre da Moeda, ocorrido há 16 de Junho de 1960, um dos últimos episódios da resistência dos moçambicanos a dominação colonial, antes do desencadear a luta de libertação nacional.

 

Trata-se de uma obra, em que, no centro das atenções está o edifício da administração colonial, onde aconteceu a tragédia da Mueda, tendo como um dos sobreviventes o pai da artista, o nacionalista Alberto Chipande.

 

O valor do leilão será canalizado para acções de caridade em Cabo Delgado, concretamente para a construção de uma vila de reassentamento de deslocados com infra-estruturas sociais como, uma escola e um hospital, para além do apetrechamento de uma escola no distrito de Boane, província de Maputo.

 

Falando a imprensa, a artista não escondeu as suas influências, tendo a cultura maconde como o expoente máximo das suas criações. “A história que eu conto tem muito a ver com aquele ser maconde que esta dentro de mim, a minha forma de pintar tem, tem muitos traços da minha identidade”.

 

De acordo com a Dora, a escolha do dia 16 de Junho para inauguração da sua exposição foi pensada para mostrar que libertação da terra e do homem, a partir de Moeda funcionou e está a ser vivida por meio da cultura, e o país esta a colher os frutos.

 

Ouvido pela AIM, o Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Jorge Ferrão, que também prefaciou a obra literária da Dora Chipande, intitulada “Lipondo”, mostrou surpreendido pela versatilidade da artista,

 

“Conheço a Dora como alguém que se iniciou na escrita. Achei que, para alem de escritora tivesse talento para pintar paisagens, mas agora fico surpreendido que ela trabalha mais rostos dando expressão da arte num elemento mais fechado e mais fechado ainda quando se trata de rostos makondes que traduz a cultura da sua família, suas origens, fazendo boa combinação de cores”, disse Ferrão.

 

Refira-se que, está nos plano da Dora Chipande, levar a exposição para todos os cantos do país e quiçá para fora de Moçambique, como forma de mostrar e inspirar os mais jovens para valorizarem a cultura e saberem o que custou a liberdade.