Os raptos e a falta de seriedade daqueles que dirigem o Estado

Num espaço de dois dias, o país foi colhido por duas notícias tristes relacionadas aos raptos, que assolam o país desde finais de 2011. A primeira tem a ver com o rapto, na manhã de domingo, 11 de Fevereiro, de mais um empresário, como tem sido a tendência, de ascendência asiática.

Os raptos e a falta de seriedade daqueles que dirigem o Estado

A vítima chama-se Cláudio Dharmendra. Foi raptada no interior do seu bottle store, perto da Casa Militar, a instituição que cuida da segurança do Presidente da República. 

 

A segunda notícia tem que ver com o anúncio, pelo Ministério Público, da localização na terça-feira, 13 de Fevereiro, do corpo do cidadão de nacionalidade paquistanesa raptado em 3 de Outubro de 2022. 

 

O corpo do cidadão que em vida respondia pelo nome de Ahmed Ali, foi encontrado serrado no quintal da mesma casa onde a vítima foi colocada em cativeiro. 

 

No comunicado, a PGR diz que "feitas as diligências foi possível identificar um corpo que se encontrava soterrado e que dos exames preliminares indiciam características similares com as da vítima".

 

Estas duas notícias sobre as quais se centra a nossa atenção revelam a falta de seriedade na luta que se pretende contra os raptos, o que nos força a dizer que não há vontade política de combater os raptos. 

 

Mas vamos por partes. Sobre a primeira notícia, se há um rapto numa zona militar, a ideia que isso transmite é de que os raptores podem levar a quem quiser e o onde quiserem. Se olharmos para os últimos raptos, em número de três, e duas tentativas frustradas, nota-se claramente que os raptores estão à vontade. Agem como se tivessem cobertura da Polícia. Não mostram o mínimo de preocupação com questões ocultações da identidade. Usam armas que apenas o Estado tem. É simplesmente assustadora a forma como actuam esses grupos. E qualquer gestor sério do Estado com funções de prevenir e combater o crime, devia estar incomodado com o que está a acontecer, e, até colocar o cargo à disposição. 

 

Sobre a segunda notícia, é triste ouvir do Ministério Público que houve diligências para a localização do corpo de Ahmed Ali. 

 

Ahmed Ali ficou mais de um ano e meio nas mãos dos terroristas e o Estado não conseguiu localizar o seu cativeiro para resgate. Agora que morreu é que houve diligências para a localização do cativeiro e do local onde o corpo foi enterrado? Que diligências foram feitas. Não está o MP a passar um certificado de estupidez aos moçambicanos? 

 

Aqueles que têm a missão de combater os raptos não levam a sério o assunto. 

 

Andamos há mais de três anos a tentar criar uma brigada anti-raptos, com o risco de não conseguirmos neste mandato que termina em Janeiro de 2025. Para nós é muito tempo para um assunto que mexe com a segurança e economia de um país. Isto nos força a concluir que este assunto não está a ser levado a sério, o que alimenta a narrativa de falta de vontade política para acabar com o mal.