Tráfico de drogas volta a colocar Moçambique na boca do mundo pelas piores razões

Uma cidadã moçambicana de nome Ana Massuanganhe, funcionária do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos está detida desde 8 de Janeiro, na Índia, Ásia.

Tráfico de drogas volta a colocar Moçambique na boca do mundo pelas piores razões

A nacional que à data dos factos exercia a função de secretária particular do vice-ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, e porta-voz das sessões do Conselho de Ministros, Filimão Suaze, foi surpreendida pelas autoridades indianas na posse de droga.

 

Neste momento não há detalhes sobre a detenção de Ana Massuanganhe, nomeadamente de onde saia e para onde ia, nem o tipo e a quantidade de droga que ela levava. Também não se sabe se era a primeira vez que entrava naquele país com droga.

 

A notícia é por demais preocupante pela qualidade do sujeito, uma funcionária pública e secretária de um porta-voz do Governo, mas também por colocar o nome de Moçambique na boca do mundo devido ao tráfico de drogas pelas piores razões.

 

Do ponto de vista da qualidade do sujeito, a preocupação deriva do facto de quase um mês depois da detenção de Ana Massuanganhe, mais precisamente no dia 1 de Fevereiro, a Procuradora-Geral da República, Beatriz Buchili, ter dito que a falta integridade das instituições e da corrupção estão a ser usados pelo crime organizado para estender as suas teias na Polícia, nas magistraturas, na advocacia, na política, na económica e na sociedade, manipulando as agendas das instituições e comprometendo o Estado, o que no fim dificulta o combate que se pretende contra as drogas. 

 

Nisto concordamos com Beatriz Bichili. E esta detenção vem reforçar a ideia de que Moçambique é corredor de droga, e, nos últimos tempos, lugar de consumo.

 

Se concordamos que a corrupção e a falta de integridade estão a levar à manipulação das instituições, não concordamos que isso seja motivo bastante para a PGR nada fazer e usar os discursos de ocasião para mandar recados e se lamentar. 

 

A PGR deve agir e contrariar as estratégias que são usadas pelos traficantes. É para isso que foi criada a PGR e todos os gabinetes a ela ligados.

 

Recentemente um deputado da Frelimo foi apontado como barão da droga no caso da droga encontrada no Porto de Macuse, na Zambézia. O assunto foi despoletado pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal daquela província e amplificado por via de uma denúncia feita pelo deputado da Renamo, Venâncio Mondlane, na Assembleia da República, que depois criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito que ilibou o barão.

 

Ora, era papel da PGR abrir uma investigação sobre o assunto, mas nada foi feito. Isto leva-nos a questionar se a própria procuradora não está no grupo daqueles que perderam a integridade e se meteram na corrupção para a fazer o jogo do crime organizado do tráfico de droga?

 

Do ponto de vista do nome do país, é preciso lembrar que num intervalo de quase quatro anos, três barões de droga foram encontrados em Moçambique, dois dos quais já forma extraditados.

 

No dia 13 de Abril de 2020 foi detido em Maputo um grande traficante de droga brasileiro de nome Gilberto Aparecido dos Santos, Fuminho, do Primeiro Comando Capital que se evadiu da cadeia em 1999. O assunto foi notícia em todo o mundo.

 

No dia de 21 de Dezembro foi detido em Maputo um brasileiros também traficante. Em princípios de Fevereiro, as autoridades moçambicanas anunciaram a extradição de Babatunde Abioye para o Reino dos Países Baixos onde é acusado do tráfico de drogas.

 

Isto não é bom para Moçambique. Estamos a ter a fama de albergue de barões de droga, que levanta questionamentos como porquê Moçambique. 

 

Quando Fuminho foi detido e extraditado, as autoridades brasileiras disseram que não estavam surpresas com a detenção em Moçambique devido ao histórico de envolvimento do país no mundo da droga. Aos olhos do mundo Moçambique é condescendente para com o tráfico de droga, protege o tráfico e os barões.

 

Em Junho de 2010 o antigo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, designou Mohamed Bachir Suleman (MBS) barão de droga.

 

Um estudo da autoria de Joseph Hanlon intitulado “Heroína continua sendo uma das maiores exportações” citado pela organização não-governamental Centro para Democracia e Direitos indica que todos os anos são movimentados entre 10 e 40 toneladas de heroína, ou mesmo muito mais, através de Moçambique. 

 

Com um valor de exportação de 20 milhões de dólares por tonelada. O estudo de 2018 diz que, pelo menos, dois milhões de dólares por tonelada ficam em Moçambique, na forma de lucros, subornos e pagamentos a figuras seniores moçambicanas.

 

Algumas figuras implicadas no mundo da droga, tal como é o caso de MBS são os principais financiadores das campanhas da Frelimo, o partido no poder em Moçambique desde a Independência. Há quem diga que financiar o partido Frelimo é uma forma de garantir protecção e liberdade para o tráfico de droga.

 

O Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime disse em 2019, que Moçambique se tornou num corredor de grandes volumes de substâncias ilícitas, principalmente heroína e recomendou uma maior cooperação internacional para a prevenção. 

 

Mais uma vez não é bom que o nome de Moçambique apareça associado ao tráfico de droga. Se nada for feito pelas autoridades competentes, destacadamente a PGR, um dia vamos acordar na lista de Estados narcóticos.