EUA dizem que  adiamento das eleições no Senegal é um acto ilegítimo

Os Estados Unidos consideram “ilegítima” a votação do parlamento senegalês que ratificou o adiamento das eleições presidenciais e prorrogou o mandato do Presidente Macky Sall, enquanto a oposição do país fala de um acto inconstitucional.

EUA dizem que  adiamento das eleições no Senegal é um acto ilegítimo

O Departamento de Estado norte-americano mostrou-se profundamente preocupado com a decisão de adiar as eleições presidenciais no Senegal para 25 de Dezembro e prolongar o mandato de Macky Sall.

 

“Os Estados Unidos estão profundamente preocupados com as medidas tomadas para adiar as eleições presidenciais de 25 de Fevereiro no Senegal, que vão contra a forte tradição democrática do país”, lê-se no comunicado.

 

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental também "encorajou" a classe política a adoptar medidas urgentes de forma a que o calendário eleitoral possa ser restaurado.

 

A oposição senegalesa contesta o adiamento das eleições e recorreu da decisão junto do Tribunal Constitucional. Em declarações, o constitucionalista e membro da sociedade civil, Babacar Gueye, diz esperar que o Conselho declare a lei como inconstitucional, sublinhando que só desta forma a “democracia poderá triunfar”.

 

“Espero que desta vez, visto que está em causa o futuro do Senegal, o Conselho declare esta lei como inconstitucional. O Conselho Constitucional sempre se limitou a fazer uma interpretação restritiva das suas competências quando tem toda a latitude para fazer uma interpretação mais abrangente enquanto regulador das instituições”, explicou.

 

Babacar Gueye acrescenta que até então “O Senegal passava por uma excepção em África, mas que há o risco de o país se tornar “numa verdadeira piada” do continente africano”.