Moçambique pede armas a União Europeia para combate ao terrorismo

O governo moçambicano pede o apoio da União Europeia (UE) em equipamento letal para imprimir um maior ímpeto no combate ao terrorismo, que desde Outubro de 2017, afecta alguns distritos da província de Cabo Delgado, no norte do país.

Moçambique pede armas a União Europeia para combate ao terrorismo
Armamento

O pedido foi expresso pelo ministro moçambicano da Defesa, Cristóvão Chume, hoje, em Maputo, em conferência de imprensa hoje (29), em Maputo, minutos após o término de um encontro mantido com a Missão do Comité Político e de Segurança da União Europeia (COPS).

 

O encontro tinha como objectivo avaliar a Missão Militar de Formação da União Europeia em Moçambique.

 

O COPS é um órgão da União Europeia a nível de Embaixadores dos 27 Estados Membros, com um papel na Política Externa e de Segurança daquela organização.

 

Chume disse que durante o encontro o governo moçambicano reiterou que não basta o apoio concedido à Moçambique no treino de pessoas e provisão de equipamento não letal.

 

“É também importante que, considerando que o terrorismo que temos em Moçambique é internacional, o apoio que a União Europeia tem dado a outros países que têm o mesmo fenómeno também poderia ser partilhado com Moçambique e prover equipamento letal”, disse o ministro.

 

“Mas é uma questão que nós deixamos ao critério da União Europeia para continuar com consultas internas e, quem sabe, ainda podemos ter resultados para a segunda fase do programa que temos com a União Europeia”, acrescentou.

 

Questionado sobre a continuidade da missão de treino das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, respondeu positivamente.

 

Sobre a evolução da situação em Cabo Delgado, o governante diz que transmitiu a mensagem aos membros da UE que a situação naquela província é estável, não obstante as últimos ataques registados no sul, particularmente em algumas aldeias dos distritos de Quissanga, Metuge, Ancuabe e Chiúre que levaram ao deslocamento da população na vizinha província de Nampula e outros distritos de Cabo Delgado.

 

Aliás, sublinhou o ministro, o combate ao terrorismo em Moçambique, assim como em todas as partes do mundo, é uma missão difícil que precisa de coragem, união de esforços e, sobretudo, muita paciência por parte dos cidadãos que, muitas vezes, esperam ouvir resultados imediatos algo que não é possível.

 

Explicou que o processo de radicalização nas zonas onde há terrorismo significa muitas vezes compra de mentes, comprar pessoas e enraizamento deste mal no seio das comunidades.

 

Por isso, disse o ministro, é um combate que envolve uma frente militar, mas também uma componente social pelo que o governo vai continuar a promover o desenvolvimento da região, bem como consolidar a Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte e outros programas para minimizar o risco de radicalização e prevenir a reemergência do terrorismo.

 

A chefe da missão da UE, Delphine Prank, advertiu que não basta a componente militar pois não pois não é existir segurança sem desenvolvimento sustentável, prosperidade económica e democracia.

 

Disse que a UE é o maior parceiro de Moçambique no combate ao terrorismo tendo desembolsado até agora mais de 90 milhões de euros.  

 

Questionada sobre outros apoios que a UE poderá conceder a Mocambique disse que tudo vai depender da avaliação da presente missão.     

 

Ainda na manhã desta quinta-feira, o Ministro da Defesa levou a missão da UE a visitar o Centro de Treinamento Militar no distrito municipal da Ka Tembe.